Pingassangue

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21 de março de 2014

Nirvana



             
CANÇÃO DO VENTO E DA MINHA VIDA
"O vento varria as folhas,

O vento varria os frutos,

O vento varria as flores...
E a minha vida ficava
Cada vez mais cheia
De frutos, de flores, de folhas.

O vento varria as luzes,

O vento varria as músicas,

O vento varria os aromas...
E a minha vida ficava
Cada vez mais cheia
De aromas, de estrelas, de cânticos.

O vento varria os sonhos

E varria as amizades...

O vento varria as mulheres...
E a minha vida ficava
Cada vez mais cheia
De afetos e de mulheres.

O vento varria os meses

E varria os teus sorrisos...

O vento varria tudo!
E a minha vida ficava
Cada vez mais cheia
De tudo."

Manuel Bandeira

14 de março de 2014

A página em branco

O desconforto é claro ao me deparar com esta página em branco. Depois de tanto tempo sem uma linha sequer, voltar a escrever é difícil e a minha cabeça ainda não ajuda. Precisarei de mais tempo até que toda a página seja preenchida, mesmo que hoje assunto não falte. Tem muita gente gritando nas ruas, querendo ser ouvida. Aqui ou do outro lado do mundo, as pessoas não se entendem e se matam, ali na Venezuela tem tantos morrendo e com que sentido? Faz sentido? Escrever não faz sentido, mas é preciso. Hércules teve 12 trabalhos, eu ando sem emprego algum. Café, internet e um pouco menos da vida a cada dia que passa. Escrever pode ser uma prisão às vezes, esconderijo fútil que me impede de enlouquecer. Se me passa pela cabeça matar alguém, não vou comprar uma arma, vou escrever uma história. Não entendam mal, não quero matar ninguém. É preciso preencher a página, transmitir todo o sentimento que se esvai pelos dedos para o teclado até o nascimento do texto. Não sou intelectual, não consigo viver em gaiolas, não nego que na maioria das vezes eu mesmo as crio. Mas a Copa do Mundo está aí, os ingressos quase todos vendidos, e você viu o avião desaparecido? Às vezes é necessário ser texto, fazer sentido, não perder o juízo. É nessa parte que eu desisto.
Ilsson Siriani

7 de março de 2014

Mundo pequeno


Cabisbaixo, acompanhava atentamente a procissão de formigas desfilando pelo bolo de chocolate esquecido em cima da mesa. Assustou-se ao perceber que faziam vários dias que ninguém aparecia para saber das novidades sobre ele. Se sentiu sozinho, mesmo não reconhecendo a solidão naquele momento onde as formigas devoravam seus restos, vieram à cabeça memórias de uma tarde de sábado, não haviam formigas e tudo era diferente. Ele não sentiu ressentimento pelo atrevimento das danadas e nem tinha razão para tal. As malfeitoras eram a sua única companhia no momento. Mas não estava louco a ponto de abrir-se com elas ainda. E talvez elas nem entendessem o que é solidão. Formigas estão sempre em bando, comem, trabalham e morrem juntas. Sempre. Isso seria a verdadeira essência de uma sociedade que subjuga a personalidade pelo bem maior, o sistema? Ou seria apenas um exemplo de amizade ímpar? Bem, formigas são formigas, andam juntas. A inveja naquele momento quase surgiu, talvez por medo de se descobrir sozinho. Mas o pensamento que o dominou foi, qual seria a visão de mundo das formigas? Qual a visão que uma formiga tem de nós, os seres humanos? Será que para elas somos enormes Godzillas, somente esperando a hora de esmagá-las com nossos acessos de cólera, ou apenas os grandes deuses que emanam o alimento do céu, em forma de migalhas de biscoito água e sal? Depois, guardou a água na geladeira e foi ver televisão.
Ilsson Siriani